segunda-feira, 3 de junho de 2013



 *O consumismo*

A revolução industrial ocorrida no século XVIII é filha da revolução científica, ambas lançavam o ser humano a uma outra mentalidade e valores. De uma vida mais diretamente relacionada com os elementos e ciclos naturais para a concepção de domínio da natureza, pelo controle das diversas formas de energia, com a finalidade de acumulação de capital.
Acreditava-se que os recursos naturais seriam abundantes e que a própria natureza absorveria os resíduos das atividades humanas.
Permeado por lutas sociais em que o modelo industrialista passou por transformações, alcança-se meados do século XX com outra variável a ser considerada: a ambiental. A crise ambiental intensificou-se graças ao modelo de industrialização e de agricultura adotados. Registra-se desastres ambientais, dentre eles o desastre com mercúrio na Bahia de Minamata, no Japão; os problemas advindos dos testes nucleares; somados à publicação em 1962, do livro “Primavera Silenciosa” da bióloga Rachel Carlson. Seguido da proposta de “crescimento zero”, resultado de estudo realizado com auxílio da cibernética por um grupo de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, denominado de “O Clube de Roma”. Este grupo concluiu que o ritmo de extração extração dos recursos naturais ocorriam em tal velocidade que seria impossível a sobrevivência do ser humano na terra nos próximos séculos.
Os fatos acima relacionados impulsionaram, em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) a realizar a “Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano”, em Estocolmo, na Suécia. A citada conferência é um marco na discussão das questões ambientais, percebida como resultado da poluição gerada pelo modelo industrialista em vigor, e foi decisiva para o surgimento de políticas de gerenciamento ambiental. Duas novas conferências ocorreram inserindo a temática ambiental, as “Conferências sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente” cognominadas Rio 92 e Johanesburgo 2002. Nestas as discussões passaram a incluir os problemas enfrentados pelos países “sub-desenvolvidos” a questão da pobreza, da desertificação, da biodiversidade e das mudanças climáticas.
Neste espaço de discussão emerge a proposta de desenvolvimento sustentável. Em 1989 a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento, constituída pela ONU e presidida pela primeira ministra da Noruega Gro Harlen Brundtland, lança o relatório intitulado “Nosso Futuro Comum”, propondo o que a meta dos países deve ser o de construir um desenvolvimento sustentável, correspondendo ao desenvolvimento capaz de atender as necessidades da geração presente, sem impedir que as gerações futuras também atendam às suas necessidades.
O desenvolvimento era compreendido como um processo linear em que, em geral, se extraia recursos naturais, promovia seu beneficiamento e o repassava ao consumidor, os resíduos do processo eram lançados de volta ao meio ambiente sem preocupações com a qualidade e periculosidade destes resíduos.

Inserir a questão da sustentabilidade, tomada emprestada da ecologia que admitia que os sistemas são cíclicos, e que para serem sustentáveis devem ser estáveis ao longo do tempo, significa uma revolução no modo de interferência humana. Nesta ótica os processos devem priorizar o máximo reuso, a mínima extração do recurso natural, o tratamento dos rejeitos industriais, identificando formas de utilização de suas sobras, reutilização do produto caso seja possível e a minimização da carga poluidora, tanto a gerada pelo processo industrial, quanto pelo descarte final, incluindo-se as questões sociais envolvidas em todas as etapas do processo.
Numa breve leitura, as causas da crise ambiental foram compreendidas, até a década de 50, como resultado do aumento da população, a partir desta data, do processo de industrialização e neste recaia o ônus e a responsabilidade para minimizá-la com auxílio dos governos, depois da década de 1990 compreendeu-se que as responsabilidades pela poluição devem ser diferentemente repartidas, pois os países contribuem desigualmente de acordo com o estilo de vida e de consumo da população.
Nesta ótica o assunto consumismo adentra na agenda de discussão da crise ambiental dividindo-se a responsabilidade para o consumidor, que conforme os preceitos da liberdade individual podem fazer suas escolhas quanto ao que consumir, em que nível consumir e optar pelas empresas que produzem de forma ambientalmente responsável. Isto é verdade em tese, mas fatores culturais, sócio-econômicos e psicológicos influenciam na escolha do “consumidor”.
O QUE O CONSUMO TEM A VER COM O MEIO AMBIENTE?

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Temos visto políticas econômicas voltadas ao estímulo do consumo com o pensamento que comprando mais teremos maior produção e, por sua vez, manteremos ou até aumentaremos o nível de empregos. Por trás de tudo isso existe um risco muito grande para todos nós, habitantes desse planeta. Se pararmos para pensar, compramos o que realmente precisamos? Se sim, usamos tudo que compramos?

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 Esse simples questionamento nos faz organizar nossa maneira de consumir. Não sou contra o capitalismo, muito pelo contrário, só acredito que o marketing tomou proporções muito exageradas na formação da opinião dos consumidores. Se vamos ao supermercado com uma lista pré-elaborada compramos apenas o que está faltando, fazendo inclusive uma economia. Essa é uma dica simples, mas bastante eficiente para não gastar muito. Quando vamos ao supermercado sem lista acabamos gastando mais e compramos coisas que nem precisamos e que iremos descartar, ou seja, retornará como resíduos sólidos e será, literalmente, dinheiro jogado no lixo.
  

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Consumo pode ser definido como a realização da necessidade versus utilidade. O consumo não consciente, quando compramos o que não precisamos, é o responsável pela geração desnecessária de toneladas de resíduos sólidos todos os dias. Quando falo de resíduos sólidos quero dizer descartes que serão depositados em aterros sanitários, lixões e ficarão disponíveis no meio ambiente sem qualquer tratamento, trazendo consequências desastrosas ao nosso planeta.

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A ONU (Organização das Nações Unidas) fez uma estimativa inicial de que em 2050 não teríamos mais água potável para consumo. Essa estimativa já foi revisada e a previsão agora passou para 2025. Essa diminuição foi resultado da contaminação do solo e lençol freático, que praticamente é um rio subterrâneo que passa por baixo da terra levando água para todos os locais do nosso planeta.
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Precisamos rever nossas atitudes e reciclarmos os nossos pensamentos, pois logo mais não teremos muito que fazer. O planeta está dando sua resposta às nossas atitudes irresponsáveis. Temos que fazer a nossa parte.
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Temos visto políticas econômicas  voltadas para o estímulo de consumo com o pensamento que comprando mais teremos maior produção e, por sua vez, manteremos ou até aumentaremos o nível de empregos. Por trás de tudo isso existe um risco muito grande para todos nós, habitantes deste planeta. Se pararmos para pensar, compraremos o que realmente precisamos? Se sim, usamos tudo que compramos?  
Este simples questionamento nos faz organizar nossa maneira de consumir. Não sou contra o capitalismo, muito pelo contrário, só acredito que o marketing tomou proporções muito exageradas na formação da opinião dos consumidores. Se vamos ao supermercado com uma lista pré-elaborada, compramos apenas o que está faltando, fazendo inclusive uma economia. Essa é uma dica simples, mas bastante eficiente para não gastar muito. Quando vamos ao supermercado sem lista acabamos gastando mais e compramos coisas de que nem precisamos e que iremos descartar, ou seja, retornará como resíduos sólidos e será, literalmente, dinheiro jogado no lixo.
Consumo pode ser definido como a realização da necessidade versus utilidade. O consumo não consciente, quando compramos aquilo de que não precisamos é o responsável pela geração desnecessária de toneladas de resíduos sólidos, todos os dias. Quando falo de resíduos sólidos, quero dizer descartes que serão depositados em aterros sanitários, lixões, e ficarão disponíveis no meio ambiente sem qualquer tratamento, trazendo consequências desastrosas ao nosso planeta.  
A ONU (Organização das Nações Unidas) fez uma estimativa inicial de que em 2050 não teríamos mais água potável para consumo. Essa estimativa já foi revisada, e a previsão agora passou para 2025. Essa diminuição foi resultado da contaminação do solo e lençol freático, que praticamente é um rio subterrâneo que passa por baixo da terra levando água para todos os locais do nosso planeta. 
Precisamos rever nossas atitudes e reciclarmos os nossos pensamentos, pois logo mais não teremos muito o que fazer. O planeta está dando sua resposta às nossas atitudes irresponsáveis. Temos que fazer a nossa parte.
* Alessandro Azzoni, consultor de meio ambiente e especialista em orçamento público, é formado em ciências econômicas, com pós-graduação em mercado financeiro internacional na Suíça, 
O Consumismo e o Meio Ambiente
20/05/2008 - João José Martins
O consumismo é outra característica da sociedade contemporânea que produz impactos preocupantes sobre o ambiente natural e construído. A sociedade capitalista industrial criou o mito do consumo como sinônimo de bem-estar e meta prioritária do processo civilizatório. A capacidade aquisitiva vai, gradualmente, se transformando em medida para valorizar os indivíduos e fonte de prestígio social. A ânsia de adquirir e acumular bens deixa de ser um meio para a realização da vida, tornando-se um fim em si mesmo, o símbolo da felicidade capitalista (Buarque, 1990; Gorz, 1968; Fromm, 1979).

Para a lógica capitalista de produção o principal objetivo é atender ao consumidor e estimular necessidades artificiais que promovam uma maior rotatividade e acumulação do capital investido. Naturalmente, nesta lógica as categorias de consumidor e indivíduo/cidadão são diferentes. Consumidor é toda pessoa dotada de poder aquisitivo, capaz de comprar mercadorias. O mercado e as mercadorias não são destinados a satisfazer toda e qualquer necessidade das pessoas, mas sim dos consumidores.

É por esse motivo que assistimos, freqüentemente, por exemplo, o Brasil investir na exportação de soja para alimentar o rebanho animal europeu, enquanto grandes contingentes da população brasileira não tem feijão para comer e os produtos alimentares básicos - conhecidas como culturas de pobre, como mandioca e feijão - não são atendidos com investimentos de pesquisa.

Assistimos, também, diariamente, ao crescimento simultâneo do mercado de rações animais e do número de menores abandonados nas ruas. Isto porque o mercado no capitalismo é um eficiente instrumento para alocar recursos, para indicar os caminhos da maior rentabilidade econômica, mas não foi programado para perceber e responder a necessidades e problemas sociais.

A natureza intrínseca do capitalismo exige, para sua sobrevivência, acumulação e investimentos crescentes, o que inevitavelmente aponta para a estimulação do sistema de produção/consumo. O sistema de produção que satisfaz as necessidades dos consumidores é o mesmo que as cria; seja por processos de competição entre consumidores, pelo estímulo do sistema de valores e prestígio social, seja através da publicidade e marketing. Observa-se, assim, que a teoria econômica, historicamente, defendeu o crescimento do sistema de produção/ consumo de forma completamente desvinculada de considerações éticas entre meios e fins. Os economistas, grosso modo, se atinham à satisfação dos consumidores sem se perguntar pela relevância, justiça, legitimidade ou pela racionalidade das necessidades atendidas (Galbraith, 1987; Buarque, 1990).

São, portanto, evidentes as conseqüências do consumismo sobre o meio ambiente e sobre a qualidade da vida social. Tal tendência conduz, por um lado, ao desperdício no uso de recursos naturais e energéticos e, por outro, agrava os problemas de geração e processamento de lixo.

Do ponto de vista cultural e econômico, aprofunda os processos de alienação e exploração do trabalho e cria irracionalidades como a industria bélica, a proliferação de supérfluos e a obsolescência planejada. Representa, enfim, um tipo de comportamento e de ideologia que alimenta o processo de degradação, tanto das relações sociais em si quanto das relações entre sociedade e natureza.

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